Superação

Como lidar com a perda de um animal de estimação

Quem cria estimação sabe que, além do sentimento de amor e carinho pelos animais, existe uma relação de companheirismo. Cachorros, gatos, roedores, peixes e tantos outros bichos ajudam a diminuir a solidão de idosos, ajudam crianças a descobrir a responsabilidade e aliviam o estresse de um adulto que volta do trabalho. Eles não discutem nem criticam, pelo contrário, estão sempre prontos para brincar; recebem amor e sabem retribuir com uma fidelidade impressionante. Não é à toa que o cachorro é conhecido como “o melhor amigo do homem”.

Eles passeiam, ganham banho, comida e brincadeiras. São cuidados de verdade e em troca deixam os dias mais felizes e preenchidos. Acontece que, assim como a maioria das perdas, elas às vezes chega antes do esperado. Normalmente, os animais morrem antes de seus tutores, e quando isso acontece, é um momento difícil. Pode-se dizer que “entramos em luto” quando eles morrem, e isso não é nenhum absurdo ou exagero, já que luto significa quebra de vínculo e um vínculo muito forte é quebrado quando os animais morrem.

Para as crianças, muitas vezes a perda do animalzinho de estimação é a primeira experiência com a morte. É preciso ajudá-las a compreender, a passar por esse momento de luto da forma mais tranquila possível. Também é preciso se ajudar. “Falar dos animais, das lembranças, ver fotos, e até providenciar ritual de despedida logo após a morte são atitudes que podem ajudar a elaborar melhor essa perda”, aponta a psicóloga do Grupo Vila, Mariana Simonetti.

Às vezes, quando se perde um amigo bicho, pensa-se logo em providenciar outro para fazer companhia, mas a especialista faz um alerta: “Animais para serem criados em casa podem ser providenciados a qualquer momento, mas o nosso, se tiver morrido, precisa estar presente em nós por meio de suas lembranças, e não ser substituído por outro animal simplesmente porque não ‘aguentamos sofrer’. Até porque será mesmo que conseguimos não sofrer com essa substituição? Cada relação é única. Não devemos tentar substituir algo que é insubstituível, ou corremos o risco de banalizar a morte, o que pode, mais tarde, gerar sofrimento”, aconselha.

De acordo com a psicóloga, é preciso viver o luto. Entrar em contato com ele reconhecendo-o como processo importante diante de uma situação de perda. É preciso entrar em contato com a dor para, a partir dela, se fortalecer e só assim abrir o coração para amar outra vez os “amigos peludos”.

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